sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

É duro jogar em quadra dura?

"Monfils jogou muito hoje".

Li isso várias vezes, após a derrota de Rafael Nadal para o francês Gael Monfils, pelas quartas-de-final do ATP de Doha. Mas não foi esse jogo que assisti.

Monfils jogou o básico, sem muitos segredos. Verdade que errou muito pouco (o que é fundamental para quem quer vencer um top), mas eu não vi o Rafa que corre, "impaciente" por matar o ponto, e quem cozinha demais o jogo em hard court. Foi um arremedo do jogador que arrasou Davydenko há alguns dias em Abu Dhabi.

Quadra rápida exige definição, movimentação, cruzadas. E em se tratando de Monfils, definitivamente um ótimo tenista, jogar parado no meio da quadra é suicídio. O francês desenvole seu tênis na pressão ao adversário (Federer sentiu esse gosto em 2008 em Roland Garros, quando despachou o francês nas semifinais). Existe evolução do touro em quadras rápidas? Sim, basta que se veja como começou 2007 e 2008, de forma deplorável no cimento. Mas a temporada nesse tipo de piso promete ser difícil ao espanhol, se não entrar agressivamente em quadra.

Há quem questione se ser #1 coloca um peso a mais nos ombros de Rafa. Sim, sem dúvida, mas é esse peso que deve ser usado como motivação, como fator diferencial. Em 2008, todo tenista, eu disse todo tenista, entrava em quadra com muito temor contra Rafa. Muito rapidamente, parece que a vantagem psicológica que em 2008 os adversários buscavam contra um Federer abatido, pensam em colocar contra Rafa. Com ou sem lesões, todos conhecemos Rafa por seu ímpeto, sua garra, e jamais uma certa apatia que apresentou no jogo contra Monfils.

Longe de ser brilhante, Monfils foi bastante eficiente, lembrando em muito o Tsonga que destruiu Rafa em 2008, no Australian Open. Rafa se postou mal, e cometeu diversos erros de julgamento em quadra (que se refletem em muitos erros não-forçados). Resultado: 8 aces do francês, contra nenhum do espanhol.

Rafa não jogou o que sabe, como também ainda não jogou em quadras rápidas metade do que sabe (exceção feita ao MS do Canadá, em 2008). Suas deficiências se revelam muito à medida em que entra passivo em quadra. E falta-lhe, me parece, mais vibração, mais revolta consigo mesmo após uma derrota. "Viajarei para a Sutrália sem más sensações sobre essa derrota". Conformado demais... bem ou mal, manter-se no topo do ranking da ATP é uma faca de dois gumes.

Vamos Rafa!

Curiosidades sobre o tênis

Muitos leigos no tênis talvez não tenham conhecimento sobre características básicas do esporte. Farei aqui um pequeno resumo das regras "mais do que básicas" do tênis.

O jogo de tênis pode ser individual ou em duplas, que podem ser masculinas, femininas ou mistas.

No início do aparecimento do esporte, as quadras eram em sua maioria de grama. Atualmente, as preferidas são as de saibro, sendo comum também as de cimento e já com o avanço tecnológico, as de materiais sintéticos, como borracha e fibra de vidro.

Quadra - como podemos observar na figura, a quadra de tênis é um retângulo, com as seguintes medidas: 23,77m de comprimento por 8,23m de largura para simples e 10,79m de largura para duplas. A altura da rede central é de 0,915m. A rede é suspensa por um cabo metálico com aproximadamente 0,8cm de diâmetro. A quadra ainda é demarcada por linhas laterais e de fundo. OBS.: as quadras usadas para jogos de simples e de duplas, deverão ter dois postes de sustentação de rede, os chamados “paus de simples”, com uma altura de 1,07m. Paralelamente à rede e de ambos os lados, estão as linhas de serviço (saque), que ficam a uma distância de 6,4m. O espaço existente entre a linha de serviço (saque), a rede e as linhas laterais é dividido ao meio por uma linha central perpendicular à rede, formando assim os retângulos do serviço (saque).



Teto - as quadras cobertas devem ter uma altura mínima de 9m a partir da rede. Para eventos da ATP e Copa Davis essas medidas são de 12,19m.

Bolas - as bolas de tênis devem ser uniforme, de cor branca ou amarela. São de borracha, revestidas por lã misturada com náilon. Têm um diâmetro de 6,5cm e peso médio de 57g. Os fabricantes oferecem hoje bolas específicas para determinados tipos de pisos.

Raquetes - as dimensões foram definidas em 1981 pela FIT. Cabo mais bastidor deverá ter até 81,28cm ou 32 polegadas. A parte encordoada deverá ter até 39,37cm de comprimento ou 15,5 polegadas, por 29,21cm de largura ou 11,5 polegadas. Os tenistas encontram no mercado raquetes construídas de diversos materiais e de pesos diferentes.

Regras e pontuação - A partida de tênis inicia-se com o saque. O sacador tem direito a um segundo saque, caso erre o primeiro. O saque é dado em diagonal: o jogador deve colocar a bola na semi-quadra adversária oposta ao seu lado. O jogador que vencer seis games vence o set, com vantagem mínima de dois games. Em caso de empate em 5-5, o set se estende (a) até um dos jogadores vencer sete games, seja por 7-5 ou 7-6 (com disputa de tie-break), ou (b) ininterruptamente até que um dos jogadores tenha vantagem de dois games (essa alternativa se aplica apenas ao quinto set, se houver, de partidas disputadas em torneios de Grand Slam. As partidas são disputadas em número de sets previamente estabelecidos nos regulamentos, de acordo com o campeonato em disputa (melhor de 3 ou de 5 sets).


Contagem - Em um game é a seguinte: o tenista que vence o primeiro ponto ganha 15, o segundo ponto conta 30 e o terceiro 40. Com o quarto ponto ganho, o tenista conquista o game. Quando os tenistas estiverem empatados em 40x40, vence o game o jogador que obtiver dois pontos sucessivos. Se os tenistas estiverem empatados em 6 games cada, será jogado o tie-break (exceção feita para o quinto set de partidas disputadas em torneios de GS). Vence o tie-break o jogador que fizer sete pontos primeiro, com vantagem mínima de dois pontos, ou, a partir daí, que obtiver dois pontos de vantagem.

Sorteio - A definição de quem irá executar o primeiro saque do jogo deve ser feita por qualquer forma de sorteio. O vencedor do sorteio pode optar por executar esse primeiro saque ou então escolher qual lado da quadra preferirá jogar o primeiro game, obrigando assim seu adversário a executar o primeiro saque do jogo.

Na próxima ocasião, explicarei as regras do sistema de pontuação da ATP para a formação do ranking de entradas.

Vamos Rafa!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Após boas apresentações em Abu Dhabi e duas vitórias confortáveis no torneio de Doha, preparatório para o primeiro Grand Slam da temporada, Rafa Nadal caiu nas quartas de final diante do francês Gael Monfils, partida que terminou com um duplo 6x4 em favor de Monfils.
O francês teve ótima atuação. Com o saque funcionando bem, a confiança parece ter aumentado. Monfils arriscou várias bolas vencedoras e acabou acertando mais do que errando. Jogador de bom preparo físico, o francês também aguentou bem as trocas de bola. Talvez tenha sido uma das melhores partidas que já vi Monfils fazer. Por outro lado, Nadal não viveu um dia inspirado. O espanhol manteve um ritmo de jogo mais lento, não mostrou muita convicção para ir para cima e deixou transparecer em alguns momentos a insatisfação, o que normalmente não acontece. Longe das boas atuações de Abu Dhabi, Rafa repetiu em Doha seu resultado de 2005.

Ainda restam no torneio os cabeças de chave Roger Federer, Andy Murray, Andy Roddick e Gael Monfils, que se enfrentarão amanhã nas semifinais, com grandes expectativas para Murray vs Federer.

Pelo que se viu até então nesse início de temporada, o britânco Andy Murray aparenta ser quem está em melhor forma para o Australian Open, muito por conta do mini-torneio de Abu Dhabi, do qual saiu campeão, uma vez que por enquanto é cedo para afirmar como os tenistas se encontram. Rafael Nadal, apesar da derrota de hoje, mostrou um bom nível em seus jogos anteriores e deve estar em condições de brigar na Austrália, assim como Federer, que terá um grande teste amanhã. Completando o quarteto, o sérvio Novak Djokovic, atual campeão do Aberto da Austrália, começou a temporada com uma derrota para o jovem Ernests Gulbis. Entretanto, ainda há tempo para preparação e Djokovic entrará com muita vontade para sua primeira grande defesa de título.

Nos resta esperar para ver. Mas é bom ir preparando o café e a agenda, porque visto o “aquecimento”, nas madrugadas de Australian Open valerá a pena segurar o sono.

P.S.: Rafa Nadal e Marc Lopez venceram agora há pouco a dupla formada por Mikhail Youznhy e Fabrice Santoro por 1x6, 7x6(2) e 11x9 e se encontram na final amanhã com a dupla Nestor/Zimonjic. Se não para vencer o torneio de duplas, o jogo ajudará o Rafa com a prática e para adquirir mais ritmo.

Vamos Rafa!