domingo, 11 de janeiro de 2009

Murray - uma ameaça?

Com a conquista do ATP de Doha, Andy Murray não só repetiu seu feito em 2008, quando também venceu o torneio, como também entra, ao menos no papel, como um dos nomes mais fortes para a disputa do Australian Open, a ser disputado ainda esse mês.

Contrariando a maré dos que acreditam que precisa superar ainda algumas deficiências em fundamentos básicos da quadra rápida, Nadal não vê como anormal sua eliminação no mesmo torneio do Qatar para Gael Monfils. Até onde isso é preocupante, diante do fenômeno escocês dos últimos meses?

Senão vejamos: após esbarrar por duas vezes consecutivas em Rafa (Wimbledon e Canadá, ou seja, foi eliminado pelo campeão nos dois torneios), Murray conquistou Cincinnati, foi bisonhamente eliminado nas Olimpíadas e a seguir chegou à final do US Open, sendo vencido por Federer. Venceu a seguir o MS de Madri e o ATP de São Petersburgo, perdendo então em Paris nas quartas para Nalbandian. Na Masters Cup, após uma primeira fase impecável, quando eliminou Federer com sobras, perdeu o rumo na semifinal contra Davydenko, e nesse ano de 2009 já acumulou Doha e o torneio de exibição de Abu Dhabi. Ou seja, em seus últimos 9 torneios disputados, oficiais ou não, chegou a 6 finais. Isso faz dele um nome indesejável em seu lado da chave no AO.

Diante disso, a derrota para Monfils deve acender uma luz amarela para Rafa, conquanto Murray é mais agressivo que o francês e varia bruscamente sua estratégia de jogo, o que é fatal quando se joga no meio da quadra e com bolas retas, como fez Rafa em Doha. Além disso, Murray, por utilizar as duas mãos em seu backhand, tira de Rafa o trunfo de seu top spin e o obriga a subir mais à rede, já que parado próximo à linha será inevitavelmente vítima de bolas altas e passadas abertas.

Não é possível afirmar com sobras que 2009 será o ano de consagração de Murray (até porque a temporada mal começou e se espera muito de Rafa, Federer e talvez de Djokovic), mas a facilidade com que vem impondo seu estilo de jogo de extremo controle das jogadas é algo com que Rafa pode e deve aprender muito, no jogo rápido das quadras de cimento e sintéticas.

Vamos Rafa!!