"Monfils jogou muito hoje".
Li isso várias vezes, após a derrota de Rafael Nadal para o francês Gael Monfils, pelas quartas-de-final do ATP de Doha. Mas não foi esse jogo que assisti.
Monfils jogou o básico, sem muitos segredos. Verdade que errou muito pouco (o que é fundamental para quem quer vencer um top), mas eu não vi o Rafa que corre, "impaciente" por matar o ponto, e quem cozinha demais o jogo em hard court. Foi um arremedo do jogador que arrasou Davydenko há alguns dias em Abu Dhabi.
Quadra rápida exige definição, movimentação, cruzadas. E em se tratando de Monfils, definitivamente um ótimo tenista, jogar parado no meio da quadra é suicídio. O francês desenvole seu tênis na pressão ao adversário (Federer sentiu esse gosto em 2008 em Roland Garros, quando despachou o francês nas semifinais). Existe evolução do touro em quadras rápidas? Sim, basta que se veja como começou 2007 e 2008, de forma deplorável no cimento. Mas a temporada nesse tipo de piso promete ser difícil ao espanhol, se não entrar agressivamente em quadra.
Há quem questione se ser #1 coloca um peso a mais nos ombros de Rafa. Sim, sem dúvida, mas é esse peso que deve ser usado como motivação, como fator diferencial. Em 2008, todo tenista, eu disse todo tenista, entrava em quadra com muito temor contra Rafa. Muito rapidamente, parece que a vantagem psicológica que em 2008 os adversários buscavam contra um Federer abatido, pensam em colocar contra Rafa. Com ou sem lesões, todos conhecemos Rafa por seu ímpeto, sua garra, e jamais uma certa apatia que apresentou no jogo contra Monfils.
Longe de ser brilhante, Monfils foi bastante eficiente, lembrando em muito o Tsonga que destruiu Rafa em 2008, no Australian Open. Rafa se postou mal, e cometeu diversos erros de julgamento em quadra (que se refletem em muitos erros não-forçados). Resultado: 8 aces do francês, contra nenhum do espanhol.
Rafa não jogou o que sabe, como também ainda não jogou em quadras rápidas metade do que sabe (exceção feita ao MS do Canadá, em 2008). Suas deficiências se revelam muito à medida em que entra passivo em quadra. E falta-lhe, me parece, mais vibração, mais revolta consigo mesmo após uma derrota. "Viajarei para a Sutrália sem más sensações sobre essa derrota". Conformado demais... bem ou mal, manter-se no topo do ranking da ATP é uma faca de dois gumes.
Vamos Rafa!
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
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